CUIDADORES’21 tem Fidelidade

 

No dia 30 de setembro de 2021 teve lugar no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, o Encontro anual CUIDADORES’21.

Este Encontro teve como objetivos sensibilizar a comunidade para as questões associadas ao papel de Cuidador Informal, de forma particular, a implementação do Estatuto do Cuidador Informal, e gerar uma reflexão conjunta e partilha de conhecimento com especialistas e experiências de vários intervenientes (cuidadores, pós-cuidadores, voluntários). O evento foi apresentado e moderado pelo jornalista e apresentador Jorge Gabriel.

Ana Luísa Pinto, diretora executiva da Cuidadores, realçou a necessidade de se “reconhecer os cuidadores informais escondidos e conhecer as suas necessidades, bem como apoiar com serviços direcionados e empoderar promovendo o autoconhecimento e a autonomia”.

O Encontro deu voz a várias cuidadoras informais, que falaram da sua experiência enquanto cuidadoras e uma ex-cuidadora que com a partilha da sua experiência ajuda outros cuidadores informais, e contou com a participação de especialistas nas área da saúde e do direito.

Maria do Rosário Zincke dos Reis, advogada e vice-presidente da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer, instituição também ela vencedora da 2ª edição do Prémio Fidelidade Comunidade, foi uma das oradoras do evento e referiu que “o estatuto do Cuidador Informal, aprovado pela Lei 100/2019, de 6 de Setembro, tal como está legislado, “deixa de fora muitos (quase todos) os cuidadores informais” acrescentando que “até 12 de Setembro de 2021, foram reconhecidos apenas 5076 cuidadores informais, 3828 dos quais enquanto cuidadores principais. Foram também pedidos 2843 subsídios de apoio ao cuidador informal principal, mas só 478 foram deferidos”.

O testemunho mais marcante do Encontro terá vindo da vice-presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais, Maria dos Anjos Catapirra, cuidadora desde 2008.
Para Maria dos Anjos os requisitos para a atribuição do subsídio deixam “pessoas em situação de extrema pobreza” e refere que a distinção entre cuidador informal principal e cuidador informal não principal é o primeiro entrave. A diferença entre as duas figuras reside no facto de o cuidador o ser de forma “permanente” ou de forma “regular”. Considera-se cuidador informal principal aquele que “acompanha e cuida de forma permanente da pessoa que com ela viva em comunhão de habitação, e que não aufere qualquer remuneração de atividade profissional ou pelos cuidados que presta à pessoa cuidada. Ao cuidador informal não principal fica vetada a possibilidade de obtenção do subsídio.

O Programa Cuidadores está a ser alvo de um estudo sobre avaliação de impacto, do qual foi feita uma primeira abordagem por Claúdia Pedra, da Stone Soup, consultora para o efeito. O resultado demonstrou que 35% dos beneficiários inquiridos manifestaram aumento no bem-estar dos beneficiários. “Pausas Breves” é um dos serviços da associação mais procurados pelos cuidadores informais já que permite o descanso de quem cuida, e conta com a participação ativa de 70 voluntários.

Na mesma ocasião, a Associação Cuidadores apresentou a sua nova imagem, o conceito de intervenção que é alargado às várias fases da vida da pessoa que cuida, os primeiros resultados da intervenção do programa Parcerias para o Impacto 2018-2021 – POISE/EMPIS – em que a Fidelidade é investidor social, e linhas de ação futuras. Foi dado especial destaque ao impacto positivo que os serviços focados nos cuidadores têm gerado na saúde, bem-estar e promoção da sua inclusão social.

Para que a vida não pare.